
Como evitar cometer os mesmos erros
Quero iniciar esta mensagem com uma “autobiografia de Portia Nelson” em 05 breves capítulos.
Capítulo 1
Caminho pela rua. Há um grande buraco na calçada. Caio nele. Estou perdida, estou desamparada. Não é culpa minha. Leva uma eternidade para encontrar uma saída.
Capítulo 2
Caminho pela mesma rua. Há um grande buraco na calçada. Finjo que não o vejo. Caio nele mais uma vez. Não consigo acreditar que estou no mesmo lugar, mas não é culpa minha. Ainda leva muito tempo para sair.
Capítulo 3
Caminho mais uma vez pela mesma rua. Há um grande buraco na calçada. Vejo que está ali. Continuo caindo nele...Virou um hábito. Meus olhos estão abertos. Sei onde estou. A culpa é minha. Saio na mesma hora.
Capítulo 4
Caminho pela mesma rua. Há um grande buraco na calçada. Dou a volta.
Capítulo 5
Caminho por outra rua!
Você acredita que o sofrimento leva ao aprendizado?
Hum... Eu diria que depende.
Acho que a personagem do texto acima, precisou se machucar várias vezes para perceber que estava “caindo num buraco”.
Tem um ditado que diz “errar é humano, mas persistir no erro é burrice”.
Um ditado um tanto cruel em minha opinião, não acredito que uma pessoa normal goste de sofrer e nem persistir em seus erros. Mas, por que com muitas pessoas acontece justamente isso, elas persistem sempre nos mesmos erros?
Erros esses que podem mudar de roupagem, ou seja, podem mudar de endereço, telefone, nome, circunstâncias, mas em suma são sempre os mesmos erros, mesmas atitudes, quase um vício inconsciente.
A experiência e o sofrimento não são os melhores professores! Cada um deles não ensina nada, mas a “avaliação da experiência ou do sofrimento ensina tudo”.
Todo mundo tem experiências, mas o que você faz com elas de fato?
Tem aquela pessoa que você olha e diz, “meus Deus, não sei o que acontece com ela, erra, erra e nunca aprende, parece que está cega!” E você, muito gentilmente ainda tenta abrir seus olhos...Cá pra nós, se pudesse você daria um chacoalhão nessa pessoa? (risos)
Brincadeiras a parte, isso nunca passou pela sua cabeça, né?
Sempre quando nós olhamos para a vida do outro, parece que conseguimos enxergar melhor aquilo que a outra pessoa não vê e temos soluções práticas para tudo, receitinhas básicas de como “sair do buraco”. Mas, a proposta da mensagem é fazer você refletir sobre a sua própria vida, porque nesse momento, talvez esteja lembrando-se de alguma amiga que está nessa situação.
Pense em quantos anos você tem agora e quantos anos ainda gostaria de viver. Quantos anos da sua vida você está cometendo os mesmos erros com a família, cônjuge, trabalho, finanças, amizades, saúde, estudos e porque não dizer na área espiritual também? E colhendo as conseqüências disso?
Por causa de alguns erros, algumas pessoas colhem conseqüências muitas vezes irremediáveis até hoje.
Se você viver até a idade que deseja, terá esses anos somente de experiências ou de aprendizados?
Não estou propondo que você seja perfeita ou que fique se culpando pelos erros cometidos no passado. Mas, que identifique e reflita nos erros que insiste em cometê-los, independente da situação ou pessoa. São aqueles erros que parecem até “programados” para acontecer, vira e mexe, pronto, você cometeu de novo!
Quando uma pessoa erra, pode apresentar as seguintes atitudes importantes:
1.Erra, pede desculpa, esquece, erra de novo, pede desculpa e esquece de novo...
2.Erra, pede desculpa, medita no seu erro e procura se policiar para não ficar cometendo o mesmo erro.
3.E ainda aquela que erra, não assume e não pede desculpa (não vou focar nisso).
Mas, porque a atitude nº 2 de “errar, pedir desculpa, meditar no erro e se policiar” parece tão difícil na prática? Essa parte de “se policiar para não cometer o mesmo erro” é que parece difícil. E toda atitude cometida várias vezes se torna um hábito e o hábito ruim pode se tornar um vício um dia.
Sabe por que é difícil?
Vou contar algo para você entender melhor.
Quando eu era adolescente, por volta dos 14 anos, existia a moda do “Diário”. Era uma agenda bem bacana, bonita por fora e às vezes até de marca, assim como as roupas nas lojas. A cada dia a adolescente tinha que escrever sobre o seu dia e não bastava escrever, tinha que colar alguma coisa, e prepare-se, o diário tinha de tudo, guardanapo do restaurante, garfinho da festa de aniversário, folha de árvore para registrar uma tarde bacana, canudinho...Era tanta coisa que o diário nem fechava, tinha que usar um elástico.
Só que tinha um problema, eu tinha entrado nessa por causa das amigas (que tinham uma caixa de agendas dos anos passados), eu não era igual a elas e achava uma perda de tempo escrever sobre coisas que já tinha vivido, já que eu poderia contar com a minha memória e não precisaria perder tempo escrevendo e escrevendo. Conclusão, no meio daquele ano de 1992 me enchi e joguei a agenda para o canto. E ainda pensava...Nossa que besteira! Depois de algum tempo joguei no lixo!
Agora, na fase adulta, vi que esse hábito não era de todo ruim, apenas não tinha uma finalidade que produzisse algo bom, que me levasse a alguma mudança no presente e no futuro. Também percebi que não podemos contar só com a memória, ela é falha. O homem é “aquele que esquece”!
O que eu quero lhe dizer é TENHA UM DIÁRIO. Mas, não um diário qualquer, como um conto de fadas de amor e aventura, como uma adolescente escrevia, nem tão pouco cheio de parafernálias coladas,rs. Mas, tenha um “DIÁRIO DE AVALIAÇÕES DE SUA VIDA”.
Encare a realidade do seu erro de maneira positiva.
Não negue a realidade fugindo para situações mais emocionantes ou novas, pois você poderá cometer os mesmos erros lá.
Introdução:
1.Controle o seu destino, caso contrário as conseqüências o controlarão.
2. Encare a realidade como ela é, não como era ou como gostaria que fosse, não fantasie.
3. Seja franca com você mesma, deixe as desculpas que encontra de lado.
4. Não administre a situação, tome a atitude de “mudar” antes que perca pessoas ou coisas importantes.
5. Medite nas opções de mudança.
Primeiros passos:
1.Admita os seus pontos fracos.
2.Una-se a pessoas realistas em não só as que concordam com você porque estão no mesmo buraco.
3.Para te ajudar, peça para que o(a) outro(a) seja honesto(a) com você, que avalie você. Analise o que você “não esperava ouvir e não enxergava”, pode ser verdade.
Agora o diário:
Tenha um caderno tamanho médio que caiba na bolsa ou pasta. Nele escreva lições de vida 01 vez por semana, sobre o que aconteceu durante essa semana, ou seja, momentos importantes de maneira objetiva.
O que eu aprendi durante essa semana?
1.Escreva no caderno os momentos de fracasso e sucesso.
2.O que eu fiz e foi bom.
3.O que eu errei e a conseqüência.
4.Assuma a sua responsabilidade, medite na situação e escreva o que refletiu.
5.Escreva o que precisa fazer para mudar e não cometer o mesmo erro. Lembre-se que, provavelmente, essa “nova atitude” pode caber em qualquer nova situação. Passando ou não por uma situação parecida, você terá de escolher cometer o mesmo erro com a “roupagem diferente” ou ter uma nova atitude, porque já está habituada através do diário a saber o que precisa mudar em você.
6.Depois de escrever, não feche o caderno, releia, separe 10 minutos e pergunte a você mesma o que aprendeu.
7.Na outra semana escreva, medite e faça uma revisão das semanas anteriores na medida do possível.
8.Se for algo urgente, deixe bilhetinhos para você mesma, coloque o celular pra despertar com uma frase de mudança, use o diário, mas também seja criativa.
E não me diga que não tem tempo. E aqueles minutinhos finais do almoço, aquelas horas dentro de uma condução e aqueles minutinhos antes de dormir?
“Encurte a distância entre a sua experiência e o seu entendimento”.
Por isso existem pessoas que lêem um livro, mas não conseguem lembrar muito além do título. Para lembrar é preciso compreender e assimilar.
Não conte só com a sua memória, você vai se decepcionar constantemente porque perceberá que no momento decisivo não estava condicionada à mudança.
Faça disso um hábito, sentindo prazer ou não, é para o seu bem. Inicie, continue e não desista. Incentive outras pessoas também. A mãe das virtudes é a perseverança.
Escrevi essa mensagem porque já passei pelas mesmas dificuldades e adotei um caderno para descrever esses momentos. Como o homem é “aquele que esquece”, acabei deixando esse caderno de lado por um tempo porque achei que tudo estava indo bem, mas percebi que voltei a cometer alguns erros que não gostaria e pretendo voltar ao foco. Vou reler o que já escrevi e escrever novas coisas.
Eu sou como você, imperfeita, mas quero melhorar sempre, só pedir desculpas não muda nada.
Estou pegando o meu caderno e você vai pegar o seu?
Obs.: Introdução de 1 a 5 e primeiros passos de 1 a 3 com colaboração do livro "O livro de Ouro da Liderança" John Maxwell.








